Sobre o amor ao próximo
  • George Sodré – 30 de outubro de 2016

    Pregação na sede – Igreja em Florianópolis

    1 – Se fosse possível resumir Deus em uma palavra qual seria? Qual é a essência de Deus?

    O AMOR

    Dentre várias características de Deus, sem dúvida, essa é a mais marcante!

    Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor. 1 João 4:8

    E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele. 1 João 4:16

    2 – Qual o maior mandamento de Deus para nós?

    AMAR AO PRÓXIMO

    Jesus estava sendo interrogado sobre diversos assuntos (tributos, ressurreição)

    E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar. E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo: Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas. Mateus 22:34-40 (Mc 12:28-34 e Lc 10:25-28)

    Paulo falava sobre autoridades. Disse para dar a cada um o que se deve: tributo, temor, honra.

    A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor. Romanos 13:8-10

    Paulo escrevia sobre liberdade, mas para cuidar para não dar ocasião à carne, servindo pelo amor.

    Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Gálatas 5:14

    Essa palavra mostra que o maior mandamento é o amor, o amor ao próximo e o amor ao Senhor. Esse que é a base de todos os demais mandamentos e de tudo em nossas vidas. Com isso, fica claro qual deve ser a base do comportamento cristão, aquilo que deve inspirá-lo sempre: o amor ao próximo.

    Podemos questionar: por que o Apóstolo não fala também do amor a Deus? O fato é que o amor a Deus e o amor ao próximo não competem entre si. Isso porque o amor ao próximo, é, na verdade, a expressão do outro, ou seja, do amor a Deus. O primeiro mandamento (amar a Deus) é a base do segundo (amar ao próximo). O segundo é uma expressão visível do primeiro.

    É por isso que João 4:20 ensina:

    Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?

    E não é à toa que Paulo escreve:

    Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. 1 Coríntios 13:1-3.

    3 – Quem é o meu próximo?

    Na parábola do bom Samaritano Jesus ilustra muito bem.

    Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar.

    Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira. Lucas 10:29-37

    A passagem dá a entender que quem foi roubado, espancado e abandonado quase morto foi um judeu. Era de se esperar que o sacerdote israelita (pessoa responsável pelo ensino da Lei) e o levita (tinha a função de servir e executar o louvor) ajudassem o homem, seja porque devia ser seu conterrâneo, seja pela função religiosa que ocupavam e por aquilo que sabiam e ensinavam, mas não fizeram absolutamente nada. O homem foi ajudado por um samaritano — alguém que pertencia a um povo que era desprezado pelos judeus (João 4:9 – Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos).

    Portanto, é evidente que “o próximo” a que Jesus se refere não são apenas aquelas pessoas com quem nos relacionamos, temos coisas em comum e de quem gostamos, mas qualquer pessoa.

    A parábola acima complementa o que Jesus ensinou no Sermão do Monte:

    Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Mateus 5:43-47

    Paulo reforça isso em Rm 12:20: Mas, se o seu inimigo estiver com fome, dê-lhe algo para comer; se ele estiver com sede, dê-lhe algo para beber; pois, fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele.

    Com isso, podemos concluir que o próximo, na verdade, não tem uma identidade específica. Devemos amar todas as pessoas, simplesmente porque Deus as ama.

    4 – Por que devemos cumprir este mandamento?

    - PARA QUE DEUS PERMANEÇA EM NÓS E NÓS NELE.

    1 João 4, 12Ninguém jamais viu a Deus; se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor está aperfeiçoado em nós.

    1 João 4, 16Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele.

    - PARA QUE AS PESSOAS CONHEÇAM A DEUS E O AMOR DE CRISTO

    A Palavra nos ensina, em 2 Pd 1:2-4, que nós somos chamados a sermos participantes da natureza Divina:

    Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor; Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina (vos torneis co-participantes), havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. 2 Pedro 1:2-4

    Por sua vez, Deus amou a todos! Essa é a Sua natureza (amor) e deve ser a nossa atitude.

    Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Isaías 53:3-6

    Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. João 3:16,17

    Nesse sentido, quero lembrar que Deus nos confiou o Ministério da Reconciliação (anunciar o amor e o perdão de Deus a todas as pessoas):

    E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus. 2 Coríntios 5:18-20

    Temos que evangelizar por amor!

    5 – Na prática (com atitudes), o que significa cumprir este mandamento?

    Sabemos que aquele que ama não faz nada disso: não mata, não rouba. Todavia, a pessoa que ama não só evita o mal como também se abre aos outros, deseja o bem, pratica o bem, sabe doar-se.

    Vejamos os exemplos de Jesus: íntima compaixão (mesmo sentimento do samaritano)

    Em Mateus 14:13-21 vemos que Jesus, quando presenciou uma multidão que lhe seguia, carente de seus ensinamentos, porém, faminta do pão cotidiano, moveu-se de “íntima compaixão” e providenciou o alimento para atender a necessidade de todos, realizando ali, o milagre da primeira multiplicação dos pães. (E, Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e possuído de íntima compaixão (compadeceu-se) para com ela, curou os seus enfermos – vers. 14).

    Mateus registra ainda (20:29-34), o caso de dois cegos, nas proximidades da cidade de Jericó, que fizeram tão grande clamor, que levou Jesus novamente a mover-se de “íntima compaixão”, curando imediatamente as suas enfermidades. (Então Jesus, movido de íntima compaixão (condoído), tocou-lhes nos olhos, e logo seus olhos viram; e eles o seguiram – vers. 34).

    Por fim, Lucas 7:11- 17, relata-nos mais um caso comovente em que Jesus ficou possuído de “íntima compaixão”:

    E aconteceu que, no dia seguinte, ele foi à cidade chamada Naim, e com ele iam muitos dos seus discípulos, e uma grande multidão; E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia uma grande multidão da cidade. E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão (se comoveu) por ela, e disse-lhe: Não chores. E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam pararam), e disse: Jovem, a ti te digo: Levanta-te. E o que fora defunto assentou-se, e começou a falar. E entregou-o à sua mãe. E de todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo.

    E correu dele esta fama por toda a Judéia e por toda a terra circunvizinha.

    A Bíblia não diz há quanto tempo aquela mulher estava viúva, mas com certeza, a morte de seu marido foi um prejuízo muito grande para sua família e o consolo daquela mulher, evidentemente, seria seu filho. Como se não bastasse a morte do marido, agora morrera também, do seu filho. A mãe chorava inconsolavelmente como, provavelmente, boa parte daquela multidão que acompanhava o cortejo. Aquela situação levou a Jesus a amar profundamente e, assim, trazer de volta o filho que havia morrido.

    Podemos observar das passagens mencionadas que todas as vezes que Jesus moveu-se de “íntima compaixão”, Ele estava sofrendo junto com alguém que sofria (multidão, cego, viúva).

    Isso significa dizer que Jesus continua sofrendo junto comigo e com você, que Ele escuta o nosso gemido e sente a nossa dor. Alguém duvida disso?

    Todavia, é exatamente a mesma atitude que o Senhor espera de nós. Ele deseja que ouçamos o gemido daquele que sente dor, assim como Ele nos ouve. Precisamos deixar transparecer em nossa vida o amor e a compaixão do Senhor a todas as pessoas.

    Deus espera que tenhamos compaixão dos outros e não de nós mesmos.

    Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia. E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens. Mateus 16:21-23

    Ter compaixão de nós = coisas da carne.

    Ter compaixão dos outros = coisas de Deus.

    O amor que o Senhor quer que tenhamos pelas pessoas é:

    O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 1 Coríntios 13:4-7

    6 – Como vamos conseguir obedecer esse mandamento? Precisamos de ajuda?

    COM A AJUDA DO ESPÍRITO SANTO E DOS IRMÃOS

    Por nós mesmos não conseguiremos cumprir o que foi ordenado. Nossa carne não permite. Devemos amar de maneira sobrenatural e por isso precisamos de ajuda.

    Primeiro: do Espírito Santo

    Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito. João 14:26

    Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como, ou o que haveis de falar, porque naquela mesma hora vos será ministrado o que haveis de dizer. Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós. Mateus 10:19,20

    Segundo dos irmãos: UNS AOS OUTROS

    Amai-vos uns aos outros (Rm 12.10; 13.8; 1 Pe 1.22; 1 Jo 3.11,23; 4.7,11-12; 2 Jo 5). Sigam as coisas da paz e também a edificação uns para com os outros (Rm 14.19) Cooperem os membros em favor uns dos outros (1 Co 12.25) Instruí-vos…mutuamente (Cl 3.16) Aconselhai-vos mutuamente (Cl 3.16) Exortai-vos mutuamente (Hb 3.13) Orai uns pelos outros (Tg 5.16).

    É na comunhão com os irmãos que também nós recebemos, aprendemos e transmitimos o amor de Cristo.

    CONCLUSÃO

    Diante disso, não tenho dúvida que o amor que Deus espera de nós vai além dos padrões deste mundo.

    Espero que todos saiamos daqui hoje dispostos a amar mais as pessoas, a nos encher do amor que vem de Deus para conseguir olhar aos que estão ao nosso redor com os olhos do Senhor.

    Acredito que, se isso acontecer, será muito mais fácil fazer a obra do Senhor com alegria, servindo, evangelizando e deixando de ficar se preocupando com os próprios problemas e se interessar mais pelos problemas dos outros.

    Que busquemos ser cheios do Espírito Santo para andarmos em amor (Ef 5:2), bem como para que no último dia ouçamos o Pai nos dizer:

    Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver [...] porque quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
    Mateus 25:34-40

     

     

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    28 dezembro 2016 | CAC | Nenhum Comentário |

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