Histórias & Testemunhos (II)
  • Série Histórias & Testemunhos II

    Entrevista com Walace da Rocha Gomes

    Pastor da Igreja em Florianópolis

    1 – Como foi sua juventude e qual foi a sua experiência de conversão?

    Eu nasci na década de 50, lá nas Minas Gerais, numa fazenda bem no interior. Tive o privilégio de descender de uma família que vem servindo ao Senhor há mais de um século e meio. Até onde eu sei a história de vida cristã de nossa família começou com minha tataravó, Anna Benedicta Lannes, que nasceu em Plimouth na Inglaterra e veio aos 16 anos, como missionária para o Brasil. Ela teve filhos e netos que se tornaram pastores, dentre os quais o que mais se destacou foi o tio-avô, Philogomiro Lannes que desempenhou seu ministério principalmente no Estado do Espírito Santo. Também marcou minha infância a lembrança de meu pai me mostrando os versículos nas lápides de nossos antepassados no pequeno cemitério de nossa cidade. Lembro-me  nitidamente do dia em que ele quis me mostrar uma lápide com o versículo de II Timóteo 4:7 “Combati o bom combate, completei a carreira e guardei a fé.”

    No entanto, desde minha pré-adolescência meus pais estravam passando por muitos problemas. Mas Deus, em sua misericórdia, marcou minha vida em um momento em que eu estava gravemente enfermo e a esposa de nosso pastor orou por mim e eu fui curado instantaneamente.

    Depois quando estava com 17 anos, os problemas conjugais de meus pais se agravaram ainda mais e eles se separaram. Esses problemas colaboraram para me desviar dos caminhos de Deus, afastando-me da Igreja. Fiquei quase 10 anos no mundo, frequentando boates e casas noturnas, no entanto, em todo esse tempo, minha mãe foi fiel e perseverou em oração por mim. Depois de concluir a faculdade tive o forte desejo de me mudar para o Sul. Então resolvi fazer um mestrado em Engenharia de Produção e Sistemas. Foi assim que, no dia 3 de janeiro de 1976, cheguei a Florianópolis. Com minha profissão de economista, comecei a trabalhar num banco de desenvolvimento, na área de planejamento. Com a mudança para o Sul e devido às diferenças climáticas e também por sair à noite para estudar com amigos ou nos fins de semana para ir às boates, passei a ter graves problemas de saúde. Foi nesse estado que comecei a visitar Igrejas novamente. Nessa ocasião conheci um pastor jovem que me tratou com muito amor e carinho, reconquistando meu coração para servir ao Senhor por toda a minha vida.

    2) Quando e como ocorreu o seu chamado ministerial?

    Só fui entender meu chamado ministerial à medida que progressivamente o Senhor ia colocando em meu coração desejo de fazer algo em prol do Reino de Deus.

    Meu primeiro serviço se deu quando um amigo, que era da aeronáutica, e eu passamos um dia conversando lá na Base Aérea. Nós dois queríamos fazer algo na igreja, mas não sabíamos como podíamos ajudar. Foi então que nos lembrarmos de na Igreja que nós estávamos frequentando, os visitantes vinham e iam embora sem ninguém falar com eles.

    Então decidimos ficar nas portas de saída para cumprimentar os visitantes e convidá-los para voltar novamente. Poucos meses depois eu já estava casado e o pastor viu que eu e minha esposa tínhamos muita disposição para servir e me convidou para ser tesoureiro, pois o tesoureiro da Igreja estava com vários problemas de saúde. Fiquei preocupado com a responsabilidade e também com receio de que os dízimos diminuíssem, caso eles não confiassem em mim, pois ainda era muito jovem.

    Mas minha esposa (Elizabeth) e eu decidimos preencher os nomes em cada envelope e entregá-los pessoalmente a cada irmão. Assim passamos a conhecer cada irmão e eles também nos conheceram melhor. Para nossa surpresa e alegria o os dízimos aumentaram sobremaneira. Em seguida me convidaram para ser presbítero e trouxeram o presidente do Supremo Concílio para minha ordenação.

    Depois disso o Senhor colocou em nosso coração o desejo de começar um novo trabalho. Eu era ainda muito tímido, mas o amor e apoio de minha esposa me impulsionaram a começar uma congregação no bairro da Trindade. Tudo ia muito devagar e a frequência era muito baixa, às vezes, tínhamos apenas cinco pessoas. Foi então que nós e mais dois casais começamos a orar juntos e, em uma noite o Espírito Santo me encheu completamente. Minha sensação era que havia sobre mim como que “um campo magnético”. Essa experiência veio marcar minha vida para o ministério e a pequena congregação começou a crescer. Com isso nos envolvemos cada vez mais na Obra, até ao ponto em que decidimos priorizar nosso tempo ao Senhor equilibrando a agenda com a família e o trabalho.

    3) Como compatibilizou sua vida profissional com a ministerial?

    À medida que a Igreja foi crescendo e os compromissos aumentando, e para não prejudicar meu tempo com a família, decidi deixar o cargo de Chefe da Assessoria de Planejamento da Presidência do Banco. Fiquei trabalhando por dez anos como um funcionário normal, com a jornada de seis horas diárias, para me dedicar ao ministério. Contudo, mesmo assim, o Senhor Deus me deu a oportunidade de ser enviado pelo Banco, por duas vezes, à Europa, para trabalhar e estudar e, como confirmação de que Ele, o Senhor, estava me enviando, ele fez com que coincidisse o encerramento desse treinamento com o início da primeira conferência entre pastores britânicos e brasileiros que se realizou em Manchester, na Inglaterra. Eu pude estar lá junto com aqueles pastores, com boa parte das despesas pagas pelo banco para o evento em que eu o representava.

    Mais tarde, apesar de compreender plenamente que um pastor é formado no contexto da Igreja, como discípulo e também como responsável pelo cuidado de vidas,  decidi fazer um curso de Teologia, pois precisava cobrir algumas deficiências quanto ao conhecimento e estudo da Palavra. Em 1999, tive a oportunidade de fazer um excelente acordo, saindo do Banco para me dedicar integralmente ao ministério.

    4) Quais os momentos mais marcantes da sua vida como pastor e como discípulo?

    Ao longo dos anos de caminhada com o Senhor, tivemos a alegria de cooperar na restauração do casamento de meus pais que até então estavam separados há mais de vinte anos. Fomos usados também na conversão dos familiares de minha esposa e na restauração da vida de outras pessoas da família. Também foi muito precioso ver nossos filhos terem experiências com Deus ainda na infância, se convertendo ao Senhor, serem batizados nas águas e no Espírito Santo.

    Cada vida ganha foi para nós algo tremendo do Senhor. Cada discípulo que cooperamos com o Senhor na formação deles, foi algo que nos revigorou e alegrou nosso coração, como se fosse um filho que estava nascendo e pronunciando as primeiras palavras.

    Eu creio, porém,  que a experiência mais marcante foi ver o Senhor agindo em nós e através de nós, quando minha esposa fez o tratamento contra o câncer em Porto Alegre. Ela passou por três internações e, em uma delas estava com imunidade à zero, pois o intestino dela havia sido muito afetado pela radioterapia e a quimioterapia havia enfraquecido por completo, causando assim uma infecção generalizada. Creio que ela esteve a poucos passos da morte, mas o Senhor a livrou com forte mão. Somos muito gratos ao Senhor por isso, e por ter colocado ao nosso lado irmãos que nos ajudaram e cooperaram com todo amor e carinho, nos servindo e gerando fé em nossos corações, para que pudéssemos ver a tremenda obra que o Senhor estava fazendo em nossas vidas.

    5) Se tivesse que dar conselhos a um jovem que queira servir ao Senhor, o que diria?

    Quero citar quatro princípios:

    a) Viva a juventude com entusiasmo e alegria, se mantendo, porém, dentro dos princípios da Palavra de Deus.

    b) Observe os exemplos de homens e mulheres que foram fiéis a Deus em sua geração, pois embora os tempos sejam diferentes, os princípios são os mesmos.

    c) Mantenha uma visão de fé e confiança no futuro, como fez Davi que dizia: mesmo que eu habite nas profundezas do mar, até ali tua mão me sustentará.

    d) Quando quiser se casar, procure um(a) jovem que tenha a mesma disposição e a mesma disponibilidade , que você tem, para servir ao Senhor.


    22 setembro 2011 | CAC | Nenhum Comentário |

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