Carregadores do Rei da Glória
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    Pr. Jorge Thomaz de Oliveira

    Você já se deparou com pessoas que, mesmo que não sejam totalmente maduras na fé, aonde quer que estejam carregam a presença de Jesus?

    Pessoas que, seja pelo seu carisma, suas atitudes ou palavras, independente de seu nível de escolaridade ou condição social, fazem com que o ambiente ao seu redor seja impactado pela presença do Rei?

    Pois é sobre isto que gostaria de compartilhar: os carregadores do Rei da Gloria!

    A narrativa bíblica em Lucas 19:28-38 nos traz a seguinte descrição:

     “… Depois de dizer isso, Jesus foi adiante, subindo para Jerusalém. Ao aproximar-se de Betfagé e de Betânia, no monte chamado das Oliveiras, enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: Vão ao povoado que está adiante e, ao entrarem, encontrarão um jumentinho amarrado, no qual ninguém jamais montou. Desamarrem-no e tragam-no aqui. Se alguém lhes perguntar: “Por que o estão desamarrando?” digam-lhe: O Senhor precisa dele. Os que tinham sido enviados foram e encontraram o animal exatamente como ele lhes tinha dito. Quando estavam desamarrando o jumentinho, os seus donos lhes perguntaram: “Por que vocês estão desamarrando o jumentinho?” Eles responderam: “O Senhor precisa dele”. Levaram-no a Jesus, lançaram seus mantos sobre o jumentinho e fizeram que Jesus montasse nele. Enquanto ele prosseguia, o povo estendia os seus mantos pelo caminho. Quando ele já estava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar a DEUS alegremente e em alta voz, por todos os milagres que tinham visto. Exclamavam: “Bendito é o rei que vem em nome do Senhor!” “Paz no céu e glória nas alturas!…” Lucas 19:28-38 – NVI

    Jesus sabia que a cruz o esperava em Jerusalém, todavia nada poderia demovê-lo de seu propósito, a força de seu amor o impelia mais e mais para o alvo.

    Não levou em conta aquilo que haveria de passar, não considerou a humilhação, o desprezo e tão pouco a morte, pois o seu desejo era cumprir toda a vontade do Pai, seu destino era a cruz e nada poderia detê-lo.

    Agora imagine comigo a sala do trono e visualize uma reunião que se desenrola dentro dela, em algum momento da Eternidade, algo mais ou menos assim:

    “O Pai diz ao seu Filho e ao Espírito Santo:

    - O homem pecou, toda a humanidade está destinada à morte e ao inferno, pois o salário do pecado é a morte. A menos que alguém vença o pecado, a menos que um Justo morra pelos injustos nada podemos fazer.

    O Filho de Deus responde então:

    - Eu morrerei, irei até eles e viverei como homem para trazer salvação a eles, eu estou disposto a pagar o preço de amor.

    A seguir o Espírito fala:

    - Eu quero participar desta obra, eu os convencerei do pecado, da justiça e do juízo. Eu os ensinarei em todas as coisas, farei lembrar de tudo o que o Filho ensinar e os farei crer em Jesus. Também lhes darei dons, capacitando-os para o estabelecimento do reino.”

    Você consegue enxergar esta reunião? O amor conspirando nas regiões celestiais para o nosso bem?

    Não há como ignorar isso, não há como desprezar tão grande salvação e amor.

    Mas vejamos o que ocorreu nos dias que antecederam a entrada de Jesus em Jerusalém:

    “… Ao aproximar-se de e de Betânia, no monte chamado das Oliveiras, enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: Vão ao povoado que está adiante e, ao entrarem, encontrarão um jumentinho amarrado, no qual ninguém jamais montou. Desamarrem-no e tragam-no aqui. Se alguém lhes perguntar: “Por que o estão desamarrando?” digam-lhe: O Senhor  precisa dele…” Lucas 19:29-34

     Jesus está próximo de Jerusalém, vivendo seus últimos momentos como homem, mas antes de entrar em Jerusalém o texto diz que Ele se aproxima de dois pequenos povoados, Betfagé e Betânia.

    Fiquei um tanto intrigado porque o nome destes locais ser citado neste momento e não apenas ser relatado que Jesus ia para Jerusalém, mas quando vi o significado do nome destes locais percebi porque estavam citados nesta passagem.

    BETFAGÉ significa “casa de figos verdes”, naquela época, o figo era usado para duas finalidades, para alimentar e também para curar, como um remédio.

    Agora perceba que o texto diz que os figos ainda estavam verdes, ou seja, Jesus andara aproximadamente três anos com seus discípulos e agora que estava prestes a consumar sua obra na cruz, precisaria contar com eles para curar os feridos e alimentar os famintos, precisaria deles para a implantação do Reino, porém ainda não estavam maduros, ainda não estavam prontos, estavam verdes. Iriam adormecer ao invés de vigiar e, por fim, iriam abandoná-lo e até negá-lo.

    Muitas vezes tendemos a pensar que já investimos tempo demais na vida de alguns discípulos e, por não ver uma resposta com a velocidade que gostaríamos, acabamos por rotulá-los como descomprometidos ou rebeldes e acabamos até mesmo desistindo deles, mas veja o que Jesus fez.

    Jesus os desafiou em suas limitações e fraquezas para que fossem aperfeiçoados em sua falta de capacidade.

    Jesus contava com eles para realizar a obra, mesmo que ainda verdes! Aquele que espera estar pronto para fazer a obra passará a vida toda vendo a vida passar sem cumprir seu chamado, pois ainda não entendeu que a capacitação vem do Senhor.

    BETANIA, por sua vez, significa “casa da aflição”, passar por Betania significa passar por grande aflição e Jesus bem sabia o quanto seria afligido depois de passar Betania, Ele bem sabia o que a cruz o aguardava em Jerusalém.

    Observe com atenção toda a narrativa:

     “… enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: Vão ao povoado que está adiante e, ao entrarem, encontrarão um jumentinho amarrado, no qual ninguém jamais montou. Desamarrem-no e tragam-no aqui. Se alguém lhes perguntar: “Por que o estão desamarrando?” digam-lhe: O Senhor precisa dele…”

     “… ENVIOU DOIS DOS SEUS DISCÍPULOS…”, ensino por traz disso é que eu não posso fazer a obra do senhor sozinho, eu preciso do corpo, eu preciso do companheirismo, eu preciso da pluralidade dos cinco ministerios, eu preciso dos dons que foram dados ao meu irmão;

    “… VÃO AO POVOADO QUE ESTÁ ADIANTE E, AO ENTRAREM, ENCONTRARÃO UM JUMENTINHO AMARRADO, NO QUAL NINGUÉM JAMAIS MONTOU…”, o povoado está logo ali, adiante dos discípulos e já na entrada eles vão achar o jumentinho. Você sabe que povoado é este meu irmão? Este povoado é o mundo, são às pessoas a tua volta, a tua familia, teus colegas de trabalho, de faculdade.

    Ali você encontrará não apenas um, mas vários jumentinhos amarrados e presos a muitas cadeias, pois estes jumentinhos são as pessoas que não conhecem a Jesus; as pessoas que precisam ser salvas e libertas;

    “… UM JUMENTINHO AMARRADO, NO QUAL NINGUÉM JAMAIS MONTOU…”

    Eles estão amarrados, porque foram presos pelo inimigo de suas almas que os mantém cativos em diversos tipos de pecado pelos quais se deixaram seduzir, tais como: promiscuidade, pornografia, mentira, ganancia, corrupção ou mesmo em doenças e em tantos outros cativeiros que receberam por herança.

    Quantas pessoas têm como seus senhores a demônios que as amarram tão fortemente que precisam de ajuda externa para ser desamarradas e soltas, para viverem a liberdade que há em Cristo Jesus, mas para isto são necessarios discípulos, ainda que figos verdes, porém dispostos a obedecer a ordem do Senhor.

    “… QUANDO ESTAVAM DESAMARRANDO O JUMENTINHO, OS SEUS DONOS LHES PERGUNTARAM: “POR QUE VOCÊS ESTÃO DESAMARRANDO O JUMENTINHO?”ELES RESPONDERAM: “O SENHOR PRECISA DELE”…” ,

     Amados, a quem o homem deu o governo deste mundo? Quem é o príncipe deste mundo senão o diabo!

    Como um usurpador, ele tem mantido os jumentinhos amarrados!

    Ele consegue fazer isto porque os jumentinhos não conhecem a sua verdadeira identidade e nem quem é seu verdadeiro dono, aquele que pagou por eles um preço de sangue!

    Por isso, quando você for desamarrar algum jumentinho saiba que ele tentará intimidá-lo dizendo-lhe: “Este jumentinho é meu, estou nesta familia há muitas gerações, você não pode desamarrá-lo, ele me pertence, eu sou o seu dono!”;

    Porém nossa resposta é simples, O Senhor precisa dele, o seu verdadeiro dono me mandou para desamarrá-lo, chega deste cativeiro;

    O diabo poderá tentar confundi-lo e intimidá-lo usando a mesma estratégia com a qual tentou Jesus no deserto, quando lhe disse:

    “Se tu és o filho de Deus diga para estas pedras se transformarem em pães”, mas, saiba de uma coisa, não vai te faltar o pão, nem a moradia e nem a vestimenta.

    O inimigo vai mentir para você dizendo que tuas necessidades básicas não serão supridas a menos que você gaste todas as tuas forças trabalhando, mesmo que para isso você não tenha mais tempo pra você, pra sua família, para a obra, tentando convencê-lo de que a tua força está no teu braço e não em Deus e que se você não gastar todo o seu esforço e tempo nisto você não terá dinheiro, nem recursos e riquezas. E que só assim você será reconhecido e valorizado pela sociedade.

    Deixe-me dizer a você uma grande verdade, antes de ser reconhecido pela sociedade eu preciso ser conhecido do Pai, preciso ser reconhecido pela minha familia, pela igreja e até pelos demônios.

    Se isto não funcionar ele então te mostrará o esplendor que o mundo tem te oferecendo poder, vaidade, prazeres e tentar te prender na cobiça, porém, se nada disto der certo ele tentará roubar a tua adoração, oferecendo falsas religiões e deuses.

    Desta forma, ele tentará te fazer parar, a fim de manter os jumentinhos amarrados.

    Que ressoe em alto e bom som em nossos ouvidos a orientação dada por Jesus aos discípulos quando foram libertar o jumentinho, digam aos seus donos:

    “… O SENHOR PRECISA DELE…” , a obediência dos discípulos no cumprimento da ordem de Jesus lhes deu autoridade sobre seu dono para libertar o jumentinho e levá-lo a Jesus.

    Notem que este jumentinho nunca havia sido montado. Quantos jumentinhos você conhece que pensam ser livres por nunca haverem se submetido a ninguém ou mesmo nós quando ainda não conhecíamos ao Senhor e, que não percebem que agindo assim se submetem ao pai da rebeldia.

    A ignorância do homem o leva a não reconhecer a autoridade de Jesus. É comum encontrar homens e mulheres dizendo ninguém me diz o que devo fazer, eu governo minha vida, ninguém me manda.

    Esta falsa sensação de independência nada mais do que se submeter ao governo daquele que é rebelde desde o inicio.

    Precisamos que nosso papel como discípulos é desamarrar e conduzir “os jumentinhos” até Jesus, para que Jesus possa “estar sobre” eles e se tornar o salvador e o senhor de suas vidas.

    Quando alguém se submete a autoridade de Jesus ele é revestido Dele;

    “… Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo…” Gálatas 3:27

    Quando somos revestidos de Cristo nosso eu desaparece e, quando isto ocorre, tudo o que se vê em nós é Cristo.

    Você conhece a historia, e ela prossegue para a entrada triunfal de Cristo em Jerusalém:

     “… LEVARAM-NO A JESUS, LANÇARAM SEUS MANTOS SOBRE O JUMENTINHO E FIZERAM QUE JESUS MONTASSE NELE…”

    Não apenas levaram-no a Jesus, mas colocaram o seu manto sobre ele, para que Jesus montasse sobre ele. Este manto fala de proteção, de cuidado, de discipulado.

    No momento em que os discípulos fizeram Jesus montar no jumentinho Jesus começa a conduzi-lo levando-o pelo caminho que Ele deseja.

    Jesus começa a governar sobre a vida do jumentinho e então o jumentinho começa a levar Jesus em todo o lugar aonde vai, neste momento ele deixa de ser apenas um jumentinho e passa a ser aquele que carrega a gloria de Deus manifesta através do Rei da gloria que está sobre a sua vida.

    Você se lembra daquelas pessoas de quem falamos no inicio desta narrativa? Que aonde vão levam a presença de Jesus? Pois é, são “os jumentinhos”. E somos nós!

    Quando “carregamos” o Rei da Glória algumas coisas acontecem. Entre elas a manifestação da Sua presença e do Seu poder para o cumprimento do seu propósito eterno.

    A presença Dele constrange, ao mesmo tempo em que atrai e convence as pessoas ao nosso redor dos pecados, a presença Dele manifesta Seu poder e este poder a Sua gloria, trazendo conversões, libertações, curas físicas e emocionais, mudanças de estilo de vida, restauração de relacionamentos, a presença Dele traz a existência o milagre.

    Porém, quando carregamos o Rei da Glória e a sua gloria se manifesta, alguns cuidados são necessarios, o texto diz:

    “… Levaram-no a Jesus, lançaram seus mantos sobre o jumentinho e fizeram que Jesus montasse nele. Enquanto ele prosseguia, o povo estendia os seus mantos pelo caminho. Quando ele já estava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar a Deus alegremente e em alta voz, por todos os milagres que tinham visto. Exclamavam: “Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor!” Lucas 19:35-38

    Quando carregamos o Rei da Gloria tudo isso ocorre por causa da presença Dele e não por causa dos jumentinhos! Por causa Dele e não por minha causa.

    Por isso, precisamos guardar nossos corações!

    Para não pensarmos que a gloria é nossa, aquele jumentinho poderia passar por ali novamente mil vezes sem que nada de especial acontecesse, porém tudo o que aconteceu naquele dia foi porque ele estava carregando o Rei da Glória.

    Carregar a gloria também implica em carregar as marcas de Jesus.

    Que marcas são estas além de poder?

    - Humildade (pensar de si mesmo na justa medida, não pensar de si além do que convém).

    - Compaixão (pelas pessoas que vivem como ovelhas sem pastor, sem rumo para suas vidas);

    - Amor (incondicional pelas pessoas, para cuidá-las e alimentá-las, para discipula-las);

    - Serviço (deixar-se gastar em prol das vidas e do propósito)

    - Obediência para buscar apenas à vontade do Pai e não a minha (é necessário que Ele cresça e eu diminua);

    Não podemos esquecer que “nunca foi sobre nós”, mas tudo foi por Ele e para a glória Dele.

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    * Jorge Thomaz Oliveira, 55, pastor responsável pelo Ministério Pastoral da Igreja Avivamento em Curitiba, PR. Casado há 34 anos com Mirian, pai de duas lindas filhas, Raquel e Paula.

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    10 agosto 2017 | CAC | Comentários desativados | Tags:

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