Ser testemunha
  • Asaph Borba

    Fonte: http://www.asaphborba.com.br/category/blog/

    “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”- Atos 1:8.

    Do dia para noite o mundo muda. A prosperidade e estabilidade política, econômica e social são voláteis. O Oriente Médio e norte da África, por exemplo, estão em uma crise aguda que leva consigo a Europa. A situação deixa atônita e inerte a todos, governos e populações, que não sabem o que fazer. Barcos entupidos de refugiados, morte de crianças no oceano, degolas de cristãos e de inocentes, rapto e abuso de mulheres, formam o conjunto de atrocidades que entopem o noticiário todos os dias. Estes fatores conjugados, geram milhares de desabrigados, despatriados e famintos da região que inundam as praias e fronteiras da Europa, Estados Unidos e chegam até no Brasil. A multidão constante ruma às grandes cidades das nações mais desenvolvidas em busca de trabalho e segurança. Este cenário faz dessa época, segundo a ONU, uma das mais difíceis da história. A sociedade e cultura humana está em xeque. Tudo se agrava mais ainda com as dificuldades econômicas que pipocam por toda parte. As grandes nações demoram a tomar decisões, e quando as tomam, parecem ser tardias e ineficazes.

    No meio de tudo isso, ações são tomadas sem que ninguém possa analisar ou muito menos questionar. Há poucos dias, por exemplo, a Rússia tomou a dianteira. Aporta sem nenhum impedimento, seus porta aviões no Mediterrâneo, frente a Síria. Começa a descarregar um arsenal bélico sem precedentes na região. O objetivo óbvio, é a salvação da integridade territorial e política do governo Assad, assim como amenizar a crise social e econômica da destruída região. O país, em estado de miséria, é quem exporta o maior contingente de refugiados para o ocidente. Em pouco mais de um mês, mais de quinhentos bombardeios espalharam a destruição por todo o Pais. A intensidade da presença Russa começa a ser sentida na região. Sem dúvida, a estratégia de Moscou é acabar, em pouco tempo, com o conflito, já que o poderio aliado, na região há mais tempo, não surtiu muito efeito contra o auto intitulado Estado Islâmico. Putin ganhou carta branca do Congresso Russo e, sem hesitar, colocou o exército vermelho frente a frente com o conflito, e também, às portas de Israel.

    Não faço dessa análise uma defesa das posições e integridade sionistas, mas realço o fato que o balanço de poder na região está mudando de forma rápida e drástica e isto vai afetar toda a terra. Mesmo com um poderio bélico considerável, Israel, sem dúvida, terá com o que se preocupar. Com um apoio cada vez menor do Tio Sam e com o já esperado ceticismo generalizado do mundo árabe, frente a intensificação do conflito palestino interno, a deterioração da estabilidade neste antigo palco mundial será rápida. O Irã assiste quieto, buscando com acordos nucleares e comerciais com Europa e Estados Unidos, equilibrar sua economia, a qual, mesmo com abundância de petróleo, está enfraquecida por um longo bloqueio econômico.

    Do outro lado do mundo, a China amplia seu poderio econômico e disputa com os Estados Unidos o título de maior economia em um mundo em crise. Com uma gigantesca população o gigante asiático impõe o ritmo da produção mundial, enquanto os Estados Unidos e uma parte da Europa, mesmo enfraquecidos, ditam as regras do consumo e do fluxo de capital. Porém quando a china espirra o mundo espirra. Os emergentes, incluindo o Brasil, são coadjuvantes desse cenário. Poderíamos fazer mais, porém nossa força se perde com o alto índice de corrupção e a má gestão que dilapidam a credibilidade e os recursos.
    Assim sendo, o que podemos fazer?

    Orar é a atitude primeira de cada cristão. Mesmo que às vezes a prece pareça mística e solitária, é sem dúvida, a maior ação que podemos ter contra a miséria humana. Além disso a oração é um instrumento que não deixa amortecer a fé. Todo cristão é responsável em manter viva sua fé, que promove bênção e amor e que é instrumentos que nos fazem avançar com autoridade frente as trevas. Jesus disse que o que ligamos e desligamos na terra, tem poder de transformação no céu. Isto é, a comunhão entre oração e céu, muda a terra. Juntos temos o privilégio de governar com Deus o mundo. Temos assim, a inigualável oportunidade de unificar, em unidade com o Eterno, nossa agenda de oração por este mundo.

    Em segundo lugar, é agir. Nossa ação é simples: ser testemunha. Quando temos este compromisso, as transformações começam a acontecer ao nosso derredor. Olhamos para as zonas problemáticas do mundo e pensamos que temos que estar lá para muda-las. Mas o que tenho aprendido é que tenho que estar sim, mas de forma correta, debaixo da liderança divina e com a visão certa. Não sou salvador dos problemas mundiais, sou uma testemunha de Cristo em qualquer lugar. Tenho certeza que algumas pessoas Deus levará além, não apenas como assistentes e sim como agentes de transformações profundas e perenes pelo mundo afora, alcançando multidões. Outros porém serão protagonistas solitários, para solucionar e resolver o problema, a fome e a miséria de uma simples pessoa; uma família ou uma vida singular para Deus. Eu mesmo, tendo em meu curriculum muitas proezas e milagres. Não consegui salvar as milhares de famílias e crianças nas zonas de conflito por onde andei. Gostaria, mas consegui apenas ser um simples instrumento, junto com outros irmãos, para mudar o destino de um pai, mãe e duas filhas. Pude influenciar alguns ministérios a fazerem o mesmo. Temos que agir na simplicidade e responsabilidade da fé, com uma visão clara para cada vida, como Jesus o fez. A implantação do reino de Deus, transformada em ação constante, da individualidade para a coletividade, deve ser o nosso foco.

    Proclamar a tempo é quando alcançamos aos perdidos na hora agá. Proclamar fora de tempo é quando parece que não chegamos a tempo de salvar e libertar. É quando chegamos em algum lugar e a porta parece estar fechada. É quando o que cremos, vivemos e falamos não têm efeito sobre a maldade e incertezas dominantes. Contudo, eu sei em quem tenho crido e sei que ele é poderoso para fazer INFINITAMENTE MAIS e, por isso, continuaremos proclamando a CRISTO JESUS como o caminho, verdade e a vida. Assim, entregamos todo este cenário acima descrito à soberania de Deus, enquanto fazemos nossa parte: ser testemunha.

    asaph e refugiados


    6 janeiro 2016 | CAC | Nenhum Comentário |

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