Assassinato em massa – vamos assistir e não fazer nada?
  • ASSASSINATO EM MASSA – VAMOS ASSISTIR E NÃO FAZER NADA?

    “Se um óvulo fecundado não é por si só um ser humano, 

    ele não poderia tornar-se um, pois nada é acrescentado a ele.” 

    Dr. Jérôme Lejune

     

    Nestes dias em que o assunto “aborto” tem sido veiculado em vários meios de comunicação, resolvi falar um pouco sobre o tema. Não sou médico e nem especialista na área. Como cidadão brasileiro, pai e pastor cristão, porém, não posso me omitir neste momento. Talvez eu cometa pequenos deslizes nos termos técnicos – jurídicos ou médicos – mas pretendo ser o mais claro e simples possível.  O que está em jogo não é diferenças de opiniões, mas vidas que estarão ainda mais em perigo, quando a mais alta instância do Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF), poderá, em futuro próximo, definir favoravelmente por uma abertura legal, para que a gravidez de qualquer brasileira seja interrompida até 12 semanas (3 meses), caso ela assim o queira, não interessando o motivo. Este termo “interrupção de gravidez” na verdade é um eufemismo para a palavra “aborto”, que é o assassinato de um bebê no útero de sua mãe.

    Para que se possa entender um pouco mais o que está ocorrendo, precisa-se registrar que já existem legalmente, definidas pelo STF, condições para a interrupção de gravidez para aquelas mulheres que (1) tenham sido vítimas de estupro, que (2) corram alto risco de morte pela gravidez (situação em que há necessidade em escolher a vida da mãe ou da criança) ou que (3) o feto seja anencéfalo (que não tenha cérebro), caso assim queiram ou que um médico indique tal condição.

    A Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ACDF), proposta pelo PSOL, junto ao Supremo, pediu que “seja excluído do Código Penal os artigos 124 e 126, que definem os crimes de interrupção da gravidez, tanto para a mulher, como para quem ajuda a abortar, para excluir do seu âmbito de incidência, a interrupção induzida ou voluntária realizada nas 12 primeiras semanas, sem necessidade de qualquer permissão específica do Estado, bem como garantir aos profissionais de saúde o direito de realizar o procedimento”.

    Nestas últimas semanas ocorreram audiências em Brasília, convocadas pela ministra Rosa Weber, que é relatora do processo. Representantes pró aborto e contra, apresentaram suas exposições, com um desequilíbrio (intencional ou não) em termos de número, a favor das posições abortistas (conforme a GAZETA DO POVO).  Após esta fase, espera-se que num período de tempo, não muito distante, a questão será julgada pelo Plenário, ou seja, que todos os ministros do STF se manifestem e julguem a ação apresentada. Sabe-se, desde já, a tendência da relatora e de outros ministros em processos anteriores. E é preocupante.

    Agora, minhas reflexões.

    1. O bebê, em sua vida intrauterina, é o mais indefeso e inocente dos seres humanos. Como frisou muito bem o Dr. Jérôme Lejune (1926/1994), pediatra e geneticista francês renomado, que descobriu a Síndrome de Down, o ser humano já o é – um ser humano – desde a fecundação. Um óvulo fecundado não é mais apenas um amontoado de célula, porém um serzinho que já tem um código genético único, tem vida humana. Verdadeiramente é um ser humano. Não existe um momento definidor que um ser “não humano” se tornará um “ser humano”. Ou é vida ou não é vida.
    1. Muito tem se falado que a mulher tem direito a fazer o que bem entender com seu corpo. Há pouco tempo, artistas famosos participaram de um vídeo chamado “meu corpo, minhas regras”. Nesta propaganda  pró-aborto faziam claramente uma defesa do direito da mulher em fazer o aborto. O que foi esquecido de dizer é que a criança que está crescendo no ventre de sua mãe também tem um corpo e também tem os seus direitos. E como, teoricamente, há probabilidade de 50% de ser um bebê do sexo feminino, poderia até se dizer que aquela (pequena) mulher dentro do corpo de outra mulher não está tendo o direito à vida sobre o seu corpo, porque através da interrupção “da vida” ela será morta.
    1. Todos esquecem da origem do problema da gravidez não desejada. E querem acabar com este problema matando a criança que é a parte inocente. Ela foi gerada e não tem culpa nenhuma por isto. Na nossa sociedade a palavra “pecado” foi abolida, não pode ser falada e nem mesmo levada em consideração nas esferas acadêmicas. A sociedade brasileira está colhendo décadas e décadas de frouxidão em relação aos valores morais, ao incentivo à liberdade (ou libertinagem) sexual pela indústria do entretenimento, à falta de valorização do casamento e da família e tudo o mais que assistimos todos os dias nos meios de comunicação: violência, corrupção, falta de amor, egoísmo, destruição da família e o afastamento dos valores e ensinos de Jesus Cristo, contidos na bíblia. As sociedades mais perversas, na história antiga, matavam suas crianças, tanto os recém nascidos como pequenas crianças que eram sacrificadas em cultos pagãos. E isto nunca esteve no coração de Deus. E isto já acontece no Brasil. E certamente aumentará.
    1. Nosso cenário é triste. Crianças são abandonadas desde cedo ao cuidado de terceiros, abandonadas em creches super lotadas (ou para pessoas não habilitadas), quando as suas mães são “obrigadas” a trabalhar para sustentarem suas famílias, pois muitas carregam toda a responsabilidade de criar seus filhos, pois seus maridos as abandonaram ou nem sabem quem são os pais. Adolescentes são deixados ao seu bel-prazer, sem um cuidado de um adulto da família, muitas vezes livres para acessar todo o lixo da internet sem nenhum limite, ou ficar fora de casa muitas horas, pois seus pais não podem cuidar deles. Jovens que se entregam à prostituição e à impureza, ainda muito cedo, porque também estão abandonados por seus pais. Tudo isto é um ambiente para que mais e mais mulheres engravidem sem condições alguma para ter e criar uma criança. Convenhamos, porém, que a criança bebê não tem responsabilidade alguma desta catástrofe social que ela foi inserida, sem sua escolha e sem culpa. Assumir uma posição a favor do aborto  trata apenas o resultado,  o fruto, mas não corrige a raiz.
    1. No momento que escrevo estas letras, fiquei sabendo que o Senado da Argentina rejeitou a legalização do aborto naquele país vizinho. Apesar de haver alguma resistência, muitos países  desenvolvidos ou não, estão aprovando mais e mais leis que permitem o aborto e outras situações que deixam as crianças em situação cada vez maior de vulnerabilidade e desamparo (p ex. diminuição da idade para considerar crime o estupro de vulnerável; interferência do Estado nas famílias retirando os filhos dos pais etc.).

    Todos os verdadeiros cristãos, católicos e evangélicos (e não cristãos), neste momento, podem e devem fazer alguma coisa, antes que seja tarde. Todos somos cidadãos brasileiros e podemos usar nossos direitos de influenciar, de votar, de se manifestar (dentro dos limites da lei), de divulgar informações corretas das verdadeiras intenções destes movimentos contra a vida e contra a família que estão se levantando em nosso país. Sabemos que os abortistas estão muito bem organizados e bem financiados, inclusive por organizações internacionais. Precisamos ler mais, não aceitar a hegemonia de alguns canais da mídia (tv, internet, revistas) que estão se arvorando como os únicos defensores da verdade, dizendo que todos os outros canais, principalmente aqueles de linha conservadora, são ultrapassados ou transmitem fake news. Na realidade sabemos a origem da mentira e quem é o pai dela. E a serviço de quem eles estão.

    Poderia me estender mais um pouco, mas deixarei para outra oportunidade. O que eu digo é que podemos salvar muitas crianças dizendo “não ao aborto”, podemos nos posicionar firmemente, podemos conversar com outras pessoas e podemos orar para que haja um mudança em nosso país, em todas as esferas da sociedade, nos políticos, nos juízes, em todas as autoridades. Deus ama as crianças, Deus ama as famílias. E nós podemos – e devemos – ser sal e luz. Tempere, ilumine. Não se omita, os bebês estão gritando por socorro, bebezinhos que nem chegaram a ter 3 meses nas barrigas de suas mães.

    (Cláudio Cabral)

    cansaço

     


    10 agosto 2018 | CAC | Nenhum Comentário |

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